Mascote SC Ivoti

VETERANOS RECORDANDO

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Causos

Todos os causos aconteceram, mas às vezes houve pitadas de exagero. O tempo nos leva a misturar os fatos. É uma pena que a nossa memória, não se lembre de tudo.

 

TIRO DE META COM BARREIRA

Jogo no nosso campo. O time adversário era bom. E o nosso goleiro num dia difícil, quem não os tem?
Vinte e cinco minutos de jogo e já estávamos levando 3x0.  Era chutar no nosso gol e entrava.
O Danilo Kunrath (Meu Deus, que boca!) aos berros reclamava de tudo e de todos.
De repente um tiro de meta do adversário.
E o Danilo...
“Juíz, para lá! Quero uma barreira!”.
E o Juíz...
“Como seu Danilo? Uma barreira?
É senhor juiz, se a bola atravessar o campo o Neuri leva...
Risos gerais.
O curioso é que o Neuri, lá no outro lado do campo, ficou sabendo da brincadeira.
“Arrancou” a camiseta do corpo e saiu fulo da vida, xingando o mundo.

 

ROSCA

O veterano tinha três zagueiros que se alternavam nos jogos. O Paulinho (Metz), o Irineu (Bender) e eu (Egon Mundstock).
O Paulinho era técnico, sabia se colocar bem na área.
O Irineu antecipava bem.
Eu era o mais limitado, esforçado sim.
O grupo gozava comigo. “O Mundstock joga porque é o técnico”.
Passados tantos anos, tenho que reconhecer que, havia um pouco de verdade nisso.
Mas vamos continuar na análise.
Nas antecipações chegava muitas vezes atrasado, aí vinha à famosa rosca, muitas vezes contra o nosso gol.
Até hoje, em jogos no campo do Ivoti, quando alguém dá uma “rosca”, ouve-se muitas vezes, na arquibancada, um grito – “Mundstock”.

 

M...

Jogo em nosso campo, com policiais de Sharlau – inspetores, delegados, investigadores...
O jogo fluía normalmente. De repente um lance ríspido entre o Danilo (Zeca) e um adversário.
Zeca meio temperamental...
- Seu M...!
O Policial (alguns dizem depois que era o delegado) se aproxima do Zeca e com voz incisiva...
- O senhor não repita isso!
Foi à gota d’água para o nosso Zeca.
- O quê?
Batendo com o pé direito no chão e fazendo um circulo ao redor do policial, gritava...
- M..., M..., M..., M... – uma sucessão de M...
O policial no primeiro momento ficou perplexo, depois começou a rir e se afastou para o meio do campo.
O jogo continuou e o Danilo ficou parado no meio do campo.  Risos gerais.
Nós todos conhecíamos o Zeca, era pavio curto, pura emoção.
Mas também logo se arrependia, um baita sujeito.
Não deu outra, no fim do jogo foi até o desafeto e pediu, diante de todos nós, desculpas! Era da sua natureza. Baita ser humano, o Zeca.

 

NÃO PERDEMOS

Jogo encardido em Igrejinha, fim do primeiro tempo 0x0.
No intervalo do primeiro tempo para o segundo, o papo corria solto no vestiário.
De repente, o Dinarte, sério...
- Mundstock, se nós não levar gol, não perdemos o jogo!
- É Dinarte, se não levarmos gol, não perdemos o jogo!

 

LATERAIS POBRES E RICOS

O veterano tinha quatro laterais.
Xeno, Dacilo (Pepsi), Arno e Romeu.
Vestiário uma zoeira. Todo mundo falando, ninguém escutando.
Nisso ouvimos o Arno dizer para o Romeu...
-Romeu, hoje sobrou para nós, os dois laterais ricos vieram, os dois pobres vão ficar na cerca!
Era danado lidar com essa turma, mas tenho saudades de todos eles.
 

ESPINGARDA

Era um bombardeio na nossa área.
O nosso goleiro, Orlando (Seth) pegava a bola e balão pra frente.
A zaga, balão pra frente.
Um festival de balões!
O Danilo (Kunrath) no meio do campo, olhando para o céu.
De repente, o Danilo...
- Pára, pára o jogo seu juiz!
- O que foi seu Danilo?
- Vou lá no meu carro buscar a minha espingarda e tentar derrubar esta bola a tiros. Raios, ela tem que baixar!
 

A CAMISETA SUMIU

Após um jogo no fim de semana, um fato curioso.
Sumiu uma camiseta.
Não só uma camiseta do fardamento, como também um par de meias e um calção.
Procura-se pra lá, pra cá, e nada.
Jogo no sábado seguinte à tarde.
Time escalado em campo. Jogo iria começar.
De repente um carro a mil entra na área do estacionamento do campo.
Era o Xeno.
Pulou do carro, fardado, camiseta, calção, meias e chuteira, e gritou...
- Estou aí, pronto! Já estou entrando...
Explicava-se o desaparecimento do fardamento. Ele se escalara há uma semana.

 

MAS PENSASTE

Baita companheiro. Advogado, Contador, culto. Mas futebol limitado.
Sempre presente, era colocado na lateral esquerda, quase sempre, no segundo tempo.
O fato ocorreu na lateral do campo. Ele com a bola sozinho.
Adversário longe. Era só passar a bola para o Danilo Kunrath que estava próximo. Na tentativa, atrapalhou-se e chutou para fora.
Prevendo a bronca, gritei...
- Danilo!
- O que foi!  Não disse nada!
- Mas pensaste!
Verdade seja dita. O Danilo (que boca), nunca gritou com o Romeu.
Conhecia seus limites, e aceitava tranquilamente.
Se fosse outro, caia o mundo!
 

JESUS

Jogo marcado para domingo de manha, no nosso campo.
O adversário veio cedo, e nós, sem onze para inicar.
Pensa aqui, pensa ali, e o Romeu...
-Vamos buscar o Jesus (Cilando Dietrich) em Estância Velha.  Acho que sei onde que ele mora, perto do Cemitério Evangélico!
Fomos entre três buscá-lo.
Não encontramos nem ele, nem a casa.
Ficamos caminhando meio desorientados, sem saber o que fazer.  Nisso veio ao nosso encontro, uma senhora...
- A senhora, por acaso, não sabe onde que mora o Jesus?
Ela nos olha sério (provavelmente achou que éramos uma turma de gaiatos) apontou o dedo para o cemitério e...
- Ele mora ali!

FEDOR NA ÁREA

A nossa defesa estava levando um “totó” do ataque adversário.
O Irineu, o Mundstock, o Romeu, o Arno – um buraco!
Nós, tontos, de tanta bola na nossa área.
De repente o nosso ponteiro esquerdo, Neco (naquela época, jogava-se com ponteiros), que devia estar jogando lá na frente, na ponta, volta, se aproxima da nossa área e faz um gesto todo especial.
Aperta as duas narinas com dois dedos e grita...
- Ta fedendo! Ta fedendo!
Dá uma baita gaitada e se manda...
Passam-se alguns minutos e os mesmos gestos.
O Irineu que não é de levar desaforo para casa, grita...
- Juro que vou quebrar a cara deste... (palavrão)! É só ele vir mais uma vez!
Solução: Trocar de ponteiro esquerdo.

 

TÁ LOUCO

Sábado à tarde, jogo no nosso campo.
Centro avante, Sérgio Cassel, bom jogador, mas não era o seu dia.
Tarde danada para ele.  Perdia gol após gol.
Do lado de fora, comandando o time, o Paulinho (Metz), brabo com a atuação do Sérgio...
- Não tem um homem pra tirar este perneta do campo?
Daqui a pouco de novo, berrando...
- Não tem um homem pra tirar este perneta do campo?
Nisso alguém pergunta ao Paulinho...
- Paulinho, quem é o técnico hoje?
- Eu, é claro!
- Mas porque não tira o cara?
- Tá louco, o cara é meu vizinho, rico e eu sou o pobre! Tá louco, eu não!

 

CAVALO DE PRADO

O Tedi era todo velocidade, sem dúvida o mais rápido dos nossos.
Corredor de 100m.  Mas deixa-meeu contar o causo.
Jogo lindo, relativamente fácil. Ganhávamos de 2x0, e o Tedi fazia festa.
Passava pelo seu marcador, voando...
Em dado momento, o técnico deles gritou...
- Não. - Berrou para o marcador!
- Marca esse cara! Marca esse cara! Tu não vês animal, que ali nasce toda a jogada?
E o marcador p... Da vida bradou...
- Entra tu em campo e marca o cara!  Isso não é gente, é cavalo de prado!


CALCANHARES

O Dacilo Dilly (Pepsi) era um dos nossos laterais esquerdos, sem grande velocidade, mas marcação dura.
Não me lembro qual foi o jogo, mas do fato, sim.
No intervalo do jogo, o ponteiro marcado por Pepsi foi em nossa direção...
- Quem é o presidente do Veterano?
- Porque companheiro?
- Quero dois calcanhares novos pagos pelo clube. E não só calcanhares, quero também duas chuteiras e duas meias novas.
Risos.
- O que foi que aconteceu?
Apontando para o Dacilo...
- O cara é doido! Passa o tempo pisando nos calcanhares da gente. Terminou com eles. Quero dois novos!
 

VELOCIDADE

Jogo em Igrejinha, sábado à tarde.
Começo da tarde, todos lá, menos Xeno e Ieldo. Viriam mais tarde.  Almoço-festa no Bühler.
De repente um carro em alta velocidade entra pelo portão maior do clube.  Dá uma freada, uma ré e derruba um eucalipto novo. Sai o Xeno do carro, disposto. E o Ieldo quieto dentro do carro. Mais uns minutos e ele sai.
Branco, transparente, tropeçando nas próprias pernas.
Xeno corre para o vestiário para se fardar. Ieldo não. Continua parado e começa a tremer.
- Vamos Ieldo, tá na hora!
- Não dá, preciso respirar!
Vai até a copa, pede uma coca-cola, senta-se no alambrado.  Continua branco.
- Vamos Ieldo, falta um para o meio campo!
Não responde, faz um gesto de negativo.  Era o efeito pé de chumbo do Xeno.
Xeno sempre foi bom motorista, mas tinha no sangue, algo da Fórmula Um.
Resultado: Ieldo só entrou em campo no 2º tempo. E mais, voltou com outra carona.


O BARRIL

Jogo em São Sebastião do Caí.
Domingo de manhã.  Nosso homem de contato era o Schneckão, prefeito do município.
O nosso adversário (acho que era o Guarani) tinha um jogador diferente. Gordo, com um bom volume abdominal, baixote, mas...
...o que jogava! Foi titular no S. C. Internacional.
Mal começara o jogo e vimos que tudo passava por ele.
E então, o Arno, inspirado, disse para o Xeno...
- Me ajuda na marcação do “barril”, senão levamos um “saco”!
Na primeira oportunidade, os dois foram pra cima do “barril”.  O Saca, por solidariedade, resolveu ajudá-los.
Resultado: O Saca, deitado no chão, meio demolido, e por quem? Pelo Xeno e pelo Arno, os três embolados.
E o seu Mauro (era o nome dele) do lado, rindo, com a bola nos pés...
- Saca, cuidado com companheiros assim.
Obs.: Sem fazer fofoca, é só um comentário.
Dizem as más línguas que dali pra frente, nos jogos, quando Arno e o Xeno se aproximavam numa jogada do Saca, ele praticamente se afastava deles.
O negócio era jogar longe deles.


DOMINA A BOLA

Bola lá no alto, caindo, caindo. O Zeca levanta a perna, esperando para dominá-la.
De repente olha de soslaio para o Danilo Kunrath, que sempre foi um baita gozador.
O Danilo Kunrath cobre o rosto com as duas mãos e deixa transparecer com o gesto...
- Vai dar rolo!  Duvido que vá dominar a bola.
O Zeca se irrita. Num repente abandona o olhar pra cima e sai caminhando, xingando o xará...
- A bola que se dane!

 

CAMISETA RASGADA

Jogo num domingo de manhã.
Família Dhein X Veterano Ivoti
A família Dhein tinha um timão, e uma belíssima camiseta.
O jogo transcorria parelho, mas com um problema. Os Dhein tinham um centro avante que corria demais, jogava demais e eram alguns anos mais moço que nossos zagueiros. O nome do moço, Ardir Dhein.
Num desses lances – Zagueiro versus avante, ele passou voando por mim. Meio no desespero, tentei segura-lo pela camiseta. Ouvi um ruído de tecido rasgando. Resultante - uma camiseta novinha rasgada pelo meio, de cima para baixo.
Passam-se os anos e quando encontro o Ardir, a gozação acompanhada com risadas.
- Quando vais pagar a minha camiseta Mundstock?
- Raios! Tem coisas que a turma não esquece!


ANIVERSÁRIO

O Arno levava madeira para o Curtume Buhler.
Nisso apareceu o Xeno;
- Arno, quando o Mundstock faz aniversário.
- Não sei Xeno.
- Então ele vai fazer aniversário domingo. Onde é o jogo?
- Nova Vila, com o Ipiranga.
-Tá, na hora do almoço tu levantas e dizes ter uma boa notícia e ai me passa a palavra.
Assim os dois cachorrões combinaram. Á sorrelfa. O meu aniversário é em maio. Estávamos em setembro.
Após o jogo, almoço-churrasco, alegria, risos piadas e...
- Com licença companheiros. Era o Arno (na época presidente do Veterano) pedindo a palavra.
- Hoje, temos uma grande notícia. (sorriso era maquiavélico). Mas vou deixar o Xeno anunciá-la.
O Xeno se levanta e com aquela cara de pau que Deus lhe deu, começa um pequeno discurso. Discurso enrolador.
- Pois é companheiros, temos a grande alegria, a imensa alegria (e mais uns dez superlativos) de blá, blá, blá e mais blá, blá, blá e por finalizar o Mundstock é o aniversariante e de coração aberto mandou abrir uma caixa de cerveja (Eu tinha a fama de pão-duro o que na verdade é meio injusto).
Palmas, abraços, parabéns. Abraços de todos menos dos dois cachorrões lá num canto com um sorriso contido.
Na volta para casa, o Arno era meu caroneiro. Ele quieto, no banco de trás, com um sorriso disfarçado.
De repente a Laís perguntou.
- Pai, pagou a cerveja?  E eu
- Claro estes dois f. da (#$%&¨*) me embretaram.
Até hoje o Arno diz que meu olhar pra ele era de assassino, o que é um exagero.
Muito tempo depois os dois me contaram como tinham combinado.
Com uma turma daquelas podia se esperar tudo.
Tempos bons aqueles!
Era o único que fazia aniversário, duas vezes por ano!

 

CHURRASQUEIROS

Eram os nossos dois churrasqueiros.
Inácio Führ e o Willi Holler.
Fico me imaginando às vezes, a chegada dos dois no céu.
São Pedro na porta de entrada, organizando as fichas.
- Inácio Führ. De onde veio?
- Ivoti, Rio Grande do Sul.
- Profissão?
- Pedreiro e churrasqueiro.
- Willi Holler. De onde veio?
- Ivoti, Rio Grande do Sul.
- Profissão?
- Sapateiro e churrasqueiro.
São Pedro, já bocado velho, dois mil e tantos anos, murmura...
- Churrasqueiros? Vocês sabem que eu sou o padroeiro do Rio Grande do Sul e gosto muito de churrasco e chimarrão.  Vou nomear vocês churrasqueiros do céu.   E vão viver naquele canto ali, onde moram uns companheiros de vocês.   BOA GENTE, mas barulhentos um bocado. Estão sempre contando causos de um tal de Veterano e dando risadas.


MORRO DO PEDRO

Um dos nossos Veteranos, o Batista, descobriu um novo método de preparo físico extraordinário.
Calma, já vamos contar a vocês a nova técnica!
A estória é curiosa! Mas vamos lá!
Um sábado, meio dia, festa lá no morro de Pedro no sítio do Liquinho.  O Batista estava presente.  Fora de carona com o Sergio Dhein.
Turma era grande e alegre. Churrasco e cerveja. Turma da pesada - Liquinho, Sírio, Zeca, Telmo...
O Sérgio com um compromisso com o Batista. Levá-lo logo após a comilança para casa.  Precisava abrir a loja.
A uma certa altura, o Batista:
- Vamos embora Sérgio?
Sem ele perceber, a turma “piscava” para o Sérgio com um sentido tácito – “amarra” um pouco.
- Daqui a pouco, daqui a pouco!
Mais papos, muitas cervejas, mais risos....
- Sérgio, vamos embora!
Mais papo, mais um procrastinar no tempo.
- Sergio, vamos embora!
Mais um piscar, mais um empurrar no tempo e de repente...
O Batista se levanta e sai com raiva em direção a Ivoti.  Ninguém consegue detê-lo.
- Batista espera ai! Todos insistem.
Nada. Ficara surdo a todos os apelos.  E lá se foi ele.
Morro do Pedro, Picada Feijão, Picada 48 Alta, Feitoria Nova, Ivoti. Tudo isso a pé e brabo. Um bocado de chão. Morro acima, morro abaixo. Um périplo.
Nos primeiros dias após a façanha ninguém se aproximou dele. Precaução.
Hoje todos riem, inclusive ele.
Mas um fato curioso. Os companheiros de futebol do Batista observavam algo cuioso. O extraordinário preparo físico do Batista. Descobrira-se uma nova técnica de preparo para atletas.
Técnica do Morro Acima - Morro Abaixo.
ou
Preparo físico do Morro do Pedro.


GALPÃO

Aos sábados ou domingos ao meio dia muitas e muitas vezes se comia churrascos lá no Campo do Ivoti.
Familiares do Veterano e sócios do Ivoti reuniam-se com bastante freqüência.  Era um conviver alegre numa época em que se tinha mais tempo para nós e para os outros.
A churrasqueira era improvisada com tijolos empilhados, junto a um muro e protegido por uma lona em caso de chuva.  As mesas de madeira, bancos de madeiras, tudo ao ar livre, tudo improvisado.
Num desses almoços o Arminio Bühler se levanta e pede a palavra. E expõe uma IDÉIA. A construção de algo para nos abrigar nesses encontros. Algo rústico, simples. Um abrigo para qualquer tempo.   Mais convida os Veteranos para junto com a diretoria levar adiante a idéia.   O Sylibio Friedrich se levanta com entusiasmo e apóia a idéia.
Naquele momento estava nascendo algo que para nossa geração foi importante.  Esse prédio recebe um nome popular, gauchesco, GALPÃO. Era o nosso GALPÃO.
Uma lista de colaboração começou a percorrer o nosso Ivoti.
Num determinado dia o Xeno telefona para o Arno.
- Arno, precisamos falar com o Arminio, mas precisamos “pega-lo num dia certo”. Num dia “errado” nem pensar! O Xeno conhecia a sua aldeia.
Dias após...
- Arno, vamos lá! É dia de falar com o Arminio. Ele está ótimo.
E lá se foram os dois.
- Seu Arminio, precisamos falar com o senhor!
- Já sei, queres aumentar o preço da lenha.
Arno fornecia as lenhas para a caldeira do Curtume.
- Não seu Arminio! O assunto é outro. É sobre o nosso galpão. Gostaríamos de uma mão.
Ele quieto.
- Vamos fazer o seguinte. Vocês passam aqui no próximo sábado. Vou falar primeiro com o Paulo Fuchs.
Nesse ínterim a lista de contribuição continua a circular. Os Holler tinham assumido o telhado. Muitos e muitos colaboraram.
No sábado combinado, Sylibio e Arno estavam conversando com o Arminio.
- Estive conversando com o Paulo. Vamos colaborar. Cada um de nós vai entrar com “Fünfhunder mil”.
Era para a época muito dinheiro. O Sylibio atordoado.
Arno antes de continuar preciso passar no Bar do Pit, para tomar um “schlug” (gole). A quantia deixara-o tonto.
Não muito tempo depois estava sendo lançada a Pedra Fundamental. Na ultimas fotos vemos esse lançamento. Numa com o Xeno e o Schneckão. Na outra se vê o Xeno, Schneckão, o Arno e o Sylibio.
Em pouco tempo o nosso galpão estava em pé.
Anos e anos foi o ponto de encontro de grande parte da comunidade. Era um dos refúgios do fim de semana.      
Mas, como tudo no mundo cresce, progride, muda. Chegou o dia que o nosso galpão se tornará pequeno. Pequeno no espaço físico, apesar de grande no nosso anímico.
Ivoti crescera e como!  A diretoria e os sócios acharam que estava na hora de ampliar e reformular os espaços. Com alguma dor para os mais velhos o GALPÃO foi posto abaixo e um bonito e prático prédio foi erguido em seu lugar.
E a Pedra Fundamental? A esquecida Pedra Fundamental!    Foi encontrada pelo Arno, Saca e pelo Romeu Schallenberger, encostada no muro. Quieta e esquecida. Não é assim a vida? Ser e não Ser! Mas para muitos Veteranos ela é ainda telurismo que invade a alma.
Resolvemos deixar uma lembrança dela. Ela foi um momento dentro da história de Ivoti.
E a vida não são MOMENTOS?
As últimas fotos lembram isso.
Um momento – 1968 - Schneckão, Xeno, Sylibio e Arno.
Outro momento - 2010 - Arno, Nilson (Saca) e Mundstock.


BAMBUS

Vou contar para vocês um causo interessante.
O causo Bambus.
O jogo era em Paverama.  Terra de muito “Alemoada”.
Via-se de longe que tudo era bem organizado. Cidade limpa, casas coloridas, jardins floridos e algo curioso.          
Gente alta. Homens, mulheres e crianças chamavam a atenção pela altura.
Tivemos uma recepção maravilhosa. Os papos lembravam Ivoti-alemão, português-misturado. Sentimos-nos em casa.
Jogo bonito com uma dificuldade, a bola aérea.  Era difícil de ganhar essa jogada.   Eram adversários altos todos os onze.
Ao meio dia o churrasco. E no meio dele um dos nossos se levanta e pergunta.
- Como vocês são tão altos nessa terra?
Silêncio.
Um dos lideres do grupo se levanta e com um sorriso meio sibilino, mostra com o indicador os bambus ao lado do campo.
- Sabe o que, nos comemos junto às refeições? Brotos desses bambus.  E com a maior cara de pau ele senta.
Todos acharam graça e fica por isso.   Na volta para casa no ônibus um dos nossos companheiros me pergunta.
-Mundstock, será que essa história do bambu tem algo de verdade?
Com cuidado para não machucá-lo, explico a brincadeira.
É tem gente de coração puro e alma simples que acredita em tudo.

 

CAPAR TOURO

O local chamava-se Mato Leitão.  Não tenho certeza mais acho que na época era distrito de Venâncio Aires.
Os nossos companheiros Nilson (Saca), Dacilo (Pepsi), eram juntos com o Dalson proprietários de uma fabrica de calçado no local, a Dilly.   Estávamos, portanto em casa.
O campo onde se realizaria o jogo era de um clube local.
Algo logo nos chamou atenção na chegada.  O espírito alegre dos anfitriões. E isso acabou se confirmando no jogo.
Mas, me deixa eu contar.
Já estávamos todos em campo (as duas equipes) e nada do juiz.
De repente ele aparece.   Ele e mais o massagista.
O juiz vestido a gaucha com um cinto cartucheira na cintura.   Os cartuchos cheios de balas.   Eram balas de comer.
O massagista chamava-se Pedrão, funcionário da Dilly.  Também vestido a gaucha, com cartucheira na cintura, carregando uma caixa de madeira cheio de não sei o que.   Um trabuco nos ombros e nas mãos uma tesoura enorme de capar touro.
Ouviu-se um grito.
- Sou o juiz, quem manda aqui é eu! E meu ajudante é o Pedrão e quem reclamar eu mando capar!
Explosão de risadas.
Começou o jogo e via-se logo que nossos adversários eram na maioria uns pernas de paus.
Poucos minutos de jogos e um deles caiu em campo.
O juiz parou o jogo, e..........
- Esse cara não joga nada!  É melhor capar logo!
O massagista correu em direção do cara, com a tesoura capar touro abrindo e fechando.   O grupo cercou o atleta segurando-o.
- Capamos o cara!
Ouviu-se um grito e o atleta saiu correndo para fora do campo aos berros.
Era pantomima pura, alegria pura.
O jogo parou e nova equipe entrou em campo.   E esses sim, jogavam e bem.
O nosso Macaco I reclamava.
- Isso é sacanagem.  Botar dois times em campo!
Ele não gostava de perder jogo.
No intervalo apareceu um barril de chope no meio do campo. E alguém gritando.
- Vamos lá pessoal. Matar a sede!
Anos se passaram e quem esteve presente lembra com risadas aquele dia.
Curioso é quem ninguém de nós se lembra do resultado do jogo.


VENTOS

O nosso Veterano jogou em muitos campos desse nosso Rio Grande e um deles foi a Osório.   Num inverno.
E litoral lembra muita coisa, mas uma coisa sempre presente o vento Nordestão.
Naquele domingo algo mais.  Um frio danado de renguear cusco.
Binômio frio-vento.   E os doidos do time eram só onze.   Onze e nenhum reserva.
Ia começar o jogo e o Veterano de Ivoti com dez em campo.   Faltava um.  Confere daqui, confere dali e quem faltava? O Pelé I (Schneck)
O Danilo (Zeca) aos gritos.
- Onde se meteu esse cabra?
Alguém gritou!
- No ônibus.
Foram conferir e lá estava o Pelé encolhido num banco.   O Zeca e Sirio foram até a copa, pediram uma corda, entraram no ônibus, amarraram o Pelé pela cintura e puxaram para fora, levaram em direção a um poste e o amarrou ele ali.
- O que é isso Zeca?
- Preciso amarrá-lo se não vamos perdê-lo com esse vento.  Vai ser arrastado por esse litoral a fora. O cara só pesa meio quilo.
O curioso é que o jogo não saiu. Era impossível jogar, tal a fúria do vento.


JOSÉ SARAMAGO

Disse um dia...

“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros, e que, para a maioria, é só um dia a mais.”
Para nós da nossa geração os dias que Deus nos deu nunca foram só um dia a mais. Foram e são dias preenchidos com a alegria do viver.
Aos Veteranos que nos sucederam desejamos de todo o coração que viva seus dias com imensas alegrias e com um sentimento de gratidão, ao nosso Deus.

 

CONSIDERAÇÃOS FINAIS

Muitas estórias ainda poderiam se contar.
Mas vamos deixar para outro dia.
Como foi bom ter convivido com vocês, companheiros!

Walter Egon Mundstock.